terça-feira, 15 de maio de 2012

"In Dreams"





"Veludo Azul" é um filme de 1986, dirigido por David Lynch.
Logo na sua introdução, onde pessoas aparentam felicidade em seus concretizados "sonhos americanos", onde as cercas são brancas e as flores bem coloridas, um velho morre enforcado com a própria mangueira acidentalmente. É um impacto pra ilustrar o que está por vir. No mundo que David Lynch nos apresentará, não existe a perfeição que quase é demonstrada nos minutos iniciais.
O filme conta a história de Jeffrey Beaumont (Kyle McLahan), um jovem estudante que acabou de se formar. Num belo dia, caminhando por um terreno, Jeffrey encontra uma orelha humana. Ele procura a polícia para comunicar o fato, mas não consegue se controlar e, inquieto, inicia uma investigação por conta própria. Conforme a trama vai se desenrolando, Jeffrey mergulha perigosamente em sua investigação, onde cruzará com um dos vilões mais perturbadores que o cinema já conheceu.
Falando no vilão, Frank Booth (Dennis Hopper), é um parágrafo à parte. Hopper domina o filme e cria um personagem inesquecível. Não é possível Veludo Azul sem Frank Booth e não dá pra imaginar outro ator além de Dennis Hopper no papel. A qualidade da interpretação do problemático e genial Dennis Hopper é tamanha, que a sensação é de que o mais terrível personagem que possa existir na nossa imaginação, realmente existe. O perigo e o medo que Frank Booth causa são reais. Ponto para Lynch e ponto para Dennis Hopper. As falas e ações desse personagem icônico são até hoje lembradas pelos fãs do filme. É o que de mais forte ficou de um filme que talvez tenha envelhecido mal.
O fato é que, 26 anos depois de seu lançamento, Veludo Azul caiu no esquecimento, ao menos no Brasil. Vi esse filme pela primira vez nas madrugadas do SBT. As madrugadas... É para lá que vão os bons e velhos filmes...
Veludo Azul é, sem dúvidas, uma boa opção para uma geração que nunca ouviu falar dele e carece de bons suspenses (não me lembro de um suspense tão bom tere surgino na última década!).
Um roteiro que poderia dar errado em outras mãos, funciona como um relógio suiço com David Lynch. É, talvez, o mais narrativo de seus filmes. A forma com que o diretor brinca, tanto no começo quanto no fim, com a sensação de termos um mundo quase perfeito é maravilhosa. O carro de bombeiros em slow-motion, as crianças brincando, os pintarroxos estão lá, como que num comercial de margarina, mas as trevas, a tragédia e os insetos também estão, para que o expectador não se esqueça do medo.
Vale destacar a trilha sonora com várias músicas dos anos 50, principalmente com a belíssima "In Dreams" de Roy Orbison. É ao som dessa música que duas das cenas mais perturbadoras são exibidas. Em uma delas, Jeffrey é espancado por Frank na beira de uma estrada enquanto pessoas em volta se divertem vendo a surra que Jeffrey leva, pessoas de aparências bizarras. Uma mulher enorme dança em cima do capô do carro estacionado na beira de estrada escura em que se passa a cena. Surreal.
O elenco ainda conta com a jovem Laura Dern. E Isabella Rossellini belíssima!

Um comentário:

  1. *(não me lembro de um suspense tão bom ter surgido na última década!). Corrigindo o erro do post. Preciso aprender a revisar.

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